top of page

Amadurecimento é um processo complicado.

Foto do escritor: Caio Cesar
Caio Cesar
6 de jan. de 2023
3 min de leitura

É uma decantação demorada, uma filtragem lenta das pequenas coisas da vida e um teste constante para ver o que ainda cabe ou não, é uma renovação de guarda-roupa que não se sabe exatamente o que se doará ao próximo. É como a troca da casca do caranguejo, um período vulnerável por si só. É revisitar as memórias e esconder os podres das histórias, como quem escolhe apenas as frutas mais maduras do cacho. É pensar “quem sou?” e ter como resposta “ninguém”. É fazer as pazes, é fazer guerras e é fazer nada. Amadurecimento é exatamente assim, uma jornada entre o que você quer ser, o que te serve e o que querem que você seja. É silencioso, mas mortal, ao mesmo tempo que barulhento e natural. É como nascer e morrer. Muitas vezes é solitário, mas não precisa se você não quiser. É um reflexo impreciso no espelho ou uma viagem na orbita do Planeta Eu. É ver de longe a construção completa e achar problemas na fundação. É destruir, sim, exatamente como destruir. É como fazer um amigo que você nunca mais verá. É só o milagre da vida. É ver o sapato apertar e sentir os braços cansados de tanto lutar, é gritar e ninguém ouvir. Complicado, mas é natural. É ter vergonha e medo, é ver tudo mudar e querer continuar igual. É ficar sóbrio e querer voltar para casa, é querer o brinquedo que tiraram da sua mão. É bicho, inseto que voa e jacaré na lagoa. Alguma vezes é raiva. Não, sempre tem raiva, só não sei do que. É pensar que é o fim, sendo que ainda não começamos. É viajar para o interior, seja interno ou de São Paulo. É ter uma casa pronta para mudança, mas você não. É o aparelho que aperta o dente ou um romance que nunca aconteceu. É engolir o sapo ou até mesmo o não-engolir o sapo. É dizer que quer ficar mais um pouco ou dizer que já está na hora. É desenhar o que se espera do futuro e fazer tudo diferente. É divertido, ao mesmo tempo que é doloroso. É a litografar os acontecimentos com as cicatrizes. É temer o desconhecido e entender o dicionário. É a palavra difícil que não queremos escrever na redação. É tirar do ventre a certeza que nada importa ou do sangue que tudo tem sentido. É uma busca sem sentido. É algo pessoal, mesmo que seja normal. É o sinônimo que briga com o antônimo, é uma rima que não quer rimar. É perversão dos valores, é estragar o puro e envenenar a água. É emburrecer, é deixar de lado o que importa, é o vil metal. Sou eu e você, é o mundo! É ver claramente a areia do tempo que corre, é o ponteiro que corre mais depressa que a gente. É um ano ou vinte dois meses. É processo burocrático que exige antes de tudo, tempo. É tempo mesmo. É dar vasão ao seu rio, é procurar outra nascente e tentar ser expoente. É a concretização dos pensamentos. É brincar de antropomorfismo. É correr para o oceano e descobrir que ainda não é o fim. É certamente uma viagem que nunca tem fim. É a história que contamos ou a que queremos esquecer. É o que ressoa na minha voz, um sentimento desertor de guerra, um inimigo atroz. É o carrasco. É entender que tudo ainda não está pronto, é ter paciência mesmo que ansioso, é esperar a chuva passar. É ter certeza de que ainda está tentando. É hoje e nunca é ontem. É hoje querendo ser amanhã. É o cão, o clérigo e o anticristo. É a justiça sendo feita. É ser desta vez o vilão. É bobice, uma brincadeira da infância e é coisa de adulto. Como eu disse, é um processo complicado.


Perde-se neste período, primeiramente a certeza.

E o que se perde depois, é os dentes.

Por fim, o que sobra é resultado



 
 
 

Posts recentes

Ver tudo
Eu não sou uma pessoa boa.

Quando eu era criança, talvez com uns 6 ou 7 anos, eu me lembro de quando minha vó comentou em voz alta, afim de dar exemplo para meus...

 
 
 

Comentários


© 2023 por caio.

Orgulhosamente criado com amor, barbante e muito ódio no coração

ddddd.jpg
Escrevo aqui pois é a minha única saída.
e por que sou alt.


 
bottom of page